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Sem gelo em súpers e gasolineras: limitam-se as carteiras por cliente para evitar congeladores vazios
As fábricas apresentam problemas para fazer frente à demanda num verão do mais caluroso por culpa da luz
Marina C.G passou toda a tarde da sexta-feira comprando os preparativos para sua festa de aniversário. Na lista chegou-lhe o turno à carteira de gelo. No entanto, a jovem sevillana, que cumpria 21 anos, ficou com as mãos vazias. Primeiro, segundo conta a este meio, foi a um supermercado da corrente Mercadona, na avenida de Reino Unido, em Sevilla. "Nada. Disseram-me que mal chega gelo aos estabelecimentos", afirma. Depois, tentou provar sorte numa gasolinera Repsol, que está ao final da mesma avenida, mas o resultado foi o mesmo. Os supermercados e as gasolineras ficam sem carteiras de gelo quando as altas temperaturas têm fritados aos consumidores. E o racionamiento chega, como passou com o azeite ou o papel higiênico.
Neste caso, os congeladores de grandes correntes, como Mercadona, Lidl ou Carrefour, começam a ficar vazios. "Não temos gelo, o sento. Não sê que está a passar com os provedores, mas aqui chegam poucas carteiras e se esgotam muito rápido. Temos tido que as limitar temporariamente por cliente", comenta também o dependente de um supermercado na rua Berlim, em Barcelona.
Máximo dois e cinco carteiras de gelo por pessoa
De facto, nos estabelecimentos da empresa de Juan Roig já penduraram-se cartazes justo no lugar onde deveriam estar os cubitos gelos. Os clientes podem comprar, máximo, cinco carteiras de gelo ou um saco. "Levamos três semanas com esta tendência. A demanda tem crescido ao redor de um 30 % neste mês, sobretudo impulsionada pela onda de calor que estamos a viver", sublinham os próprios trabalhadores.
E em Carrefour a situação não é muito diferente. Depois de percorrer os múltiplos corredores de um dos súpers, em Barcelona, em procura de uma carteira de gelo, uma empregada da companhia confirma que "estão esgotadas, temporariamente", a mesma frase que aparece na página site. Mas, a diferença de Mercadona, o racionamiento em Carrefour é mais duro. Só duas carteiras de gelo por pessoa. "É que não há nada, mas nem para o cliente particular nem para o da hotelaria, que ao carecer de seu provedor habitual vai à loja em procura de cubos para seus consumidores", expõe a mesma fonte.
Por que não há gelo nos estabelecimentos?
Desde a fábrica de Gelos Serra Nevada, líderes no sector, explicam que estão a ter problemas para fazer frente à demanda em pleno verão pela notável subida da tarifa da luz –que muitos dias se situa acima dos 250 euros o megavatio hora–. "Não temos fabricado todo o que tínhamos que fabricar. De facto, temos recortado a produção pelos elevados preços aos que nos vemos submetidos", explicam fontes próximas à companhia.
Segundo conta este mesmo interlocutor, a quantidade de electricidade que se precisa para a produção de cubitos de gelo atinge valores muito elevados. "Ademais, também se incrementou bastante o preço do plástico em comparação com o ano passado, e aí é quando vêm também os problemas". Esta companhia fabrica gelo desde 1983. E, por enquanto, não aclaram quanto tempo durará esta escassez, ainda que prevêem que a situação segua igual todo o agosto.
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